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  • Maristela Festucci e Rafael Lucas – PASCOM Santa

CRÍTICA | Pode me chamar de Francisco: humildade e fraternidade marcam série sobre o Papa


A Netflix há tempos conquistou nossos corações com seu excelente serviço de streaming, mas continua nos surpreendendo positivamente com suas produções. Desta vez, o motivo de nossas rodas de conversa mais apaixonadas tem sido a série "Pode me chamar de Francisco", que conta a história de vida de um dos líderes mais controversos da Igreja Católica, o Papa Francisco.

Inicialmente concebida como longa-metragem pelo diretor italiano Daniele Luchetti, a história foi transformada em uma minissérie com quatro episódios. O diretor é conhecido por filmes com grande carga emocional e por apresentar personagens profundamente expostos em suas questões existenciais. O trabalho de arte da produção é primoroso, a fotografia e a paleta de cores vão se transformando para ilustrar o avanço do tempo na narrativa. Outra característica de Luchetti muito presente na série é o posicionamento da câmera, que sempre entra em close nos momentos de maior emoção e dá ao telespectador uma relação mais próxima com os conflitos dos personagens.

Assim, talvez não houvesse um diretor melhor para contar a história de Jorge Mario Bergoglio, um padre jesuíta esperando para ingressar em uma missão no Japão, mas que, após a negativa de seu Bispo – que o manda permanecer em Buenos Aires –, deve aceitar seu novo destino como professor.

O roteiro parte desse momento de mudança de planos e evidencia a humanidade do atual chefe de Estado do Vaticano. O jovem jesuíta é retratado como um homem de natureza calma, tranquila, humilde e de comportamento extremamente disciplinado, que, mesmo contrariado, não cogita outra alternativa a não ser lidar com sua frustração em silêncio. E é nesse panorama que a trama avança pelos anos de sua vida na Argentina até chegar ao Conclave.

Sem perder o caráter biográfico, a série passa pelos difíceis anos da ditadura argentina, na qual alguns chefes da Igreja Católica por vezes tiveram um posicionamento questionável, e coloca o protagonista como controversista das decisões de seus cardeais superiores. Porém, suas ideias socialistas, suas opiniões – consideradas revolucionárias do ponto de vista opressor daquele momento – e seus pedidos são sempre ouvidos e considerados, como resultado de um comportamento dócil, pautado em sua disposição para apresentar argumentos.

Com a preocupação de mostrar o lado humano do Papa, a série é muito mais do que um retrato religioso. Mesmo sendo a história do líder da maior e mais antiga instituição religiosa do planeta, "Pode me chamar de Francisco" entretém a todos.

Conhecer os passos deste homem que, desde sempre, colocou as necessidades emocionais das pessoas acima de conceitos mundanos – conceitos estes que, muitas vezes, são mascarados por tradições religiosas e confundidos com espiritualidade – é um deleite para os sentidos. E, com essa abordagem, a série toda convida a nos tornarmos mais íntimos de Francisco e percebermos a humildade e coragem desse homem que lutou e continua lutando para tornar o mundo um lugar mais justo.

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